Coisas que me fazem confusão à cabeça - Vol.V

Idade para ter filhos

Não é minha impressão, é mesmo verdade. Contando assim de repente, lembro-me de pelo menos 10 casais, que, ou têm filhos com idade inferior a 2 anos, ou estão a tentar ter.
Será que sou o único a tentar remar contra a maré?

Não quero filhos agora, e não sei quando (ou se) os vou querer. Considero o desejo consciente de ter filhos, o acto mais egoísta da humanidade: "eu quero um filho meu, os outros são giros, mas quero um meu, porque eu quero". Eu ficaria bem mais feliz em adoptar uma criança e livrá-la da fome, das doenças e de uma morte prematura, do que, por um simples impulso fisiológico, somar mais um à grande conta mundial.
Mas estou a divagar.

Voltando ao cerne da questão: Chego a pensar que toda a gente tem um calendário que contém todas as decisões importantes da sua vida, para cumprir, e que faz parte das regras de aceitação social. Parece que toda a gente tem conhecimento deste calendário misterioso, pois a clássica pergunta "Então, e filhotes?" é proferida por, a meu ver, demasiada gente para ser coincidência. Começa a ser irritante.
Estarei eu "na altura" de querer ter filhos? Não sei quem distribui esse tal calendário, mas parece que eu não recebi uma cópia...

Uma técnica que me foi dada a conhecer para evitar este tipo de comentários de conformidade social, consiste em responder prontamente à fatídica pergunta, com o melhor ar de angústia que se possa fazer, com a frase "Eu não posso ter filhos..."
Apreciem a reacção, e regozijem-se, pois, dessa pessoa, nunca mais ouvirão a pergunta. Funciona especialmente bem com as velhas coscuvilheiras do bairro.

The Golden Dawn

“Por volta de 1880, em França, na Inglaterra e na Alemanha fundam-se sociedades iniciáticas e ordens herméticas que agrupam poderosas personalidades. A história dessa crise mística pós-romântica ainda não foi escrita. Merecia sê-lo. Ali se encontraria a origem de várias correntes de pensamento importantes e que, por sua vez, determinariam correntes políticas. Nas cartas de Arthur Machen a P.J. Toulet encontram-se duas curiosas passagens.

Em 1899: Quando escrevi Pã e O Pó Branco, não imaginava que acontecimentos tão estranhos alguma vez se dessem na vida real, ou até que jamais fossem susceptíveis de se produzir. Mas depois, e muito recentemente, verificaram-se na minha própria existência experiências que alteraram completamente o meu ponto de vista a esse respeito... De hoje em diante estou convencido de que nada é impossível sobre a Terra. Tenho apenas que acrescentar, acho eu, que nenhuma das experiências que fiz tem qualquer coisa a ver com aldrabices como o espiritualismo ou a teosofia. Mas creio que vivemos num mundo de grande mistério, de coisas insuspeitadas e absolutamente espantosas.


Em 1900: "Uma coisa que pode divertir o meu amigo: enviei O Grande Deus Pã a um adepto, um "ocultista" avançado, que encontrei subrosa! e ele escreveu: "O livro prova bem que, por meio do pensamento e da meditação, mais do que pela leitura, V. Ex.a tem atingido um certo grau de iniciação independente das ordens e das organizações." Quem é esse "adepto"? E quais são essas "experiências"? Noutra carta, após a passagem de Toulet por Londres Machen escreve: "O sr. Waite simpatizou muito consigo, pede-me que envie os seus cumprimentos."


Despertou a nossa atenção o nome desse íntimo de Machen que se dava com tão poucas pessoas. Waite foi um dos melhores historiadores de alquimia e um especialista da ordem de Rosa-Cruz. Tínhamos chegado àquele ponto das nossas investigações que nos esclareciam a respeito das curiosidades intelectuais de Machen, quando um dos nossos amigos nos fez uma série de revelações sobre a existência, em Inglaterra, no final do século XIX e princípio do XX, de uma sociedade iniciática: inspirada na Rosa-Cruz. Essa sociedade chamava-se a Golden Dawn. Era composta por alguns dos espíritos mais brilhantes de Inglaterra. Arthur Machen foi um dos adeptos.


A Golden Dawn, fundada em 1887, era procedente da Sociedade da Rosa-Cruz inglesa, criada vinte anos antes por Robert Wentworth Little, e que angariava partidários entre os mestres mações. Esta última sociedade compreendia 144 membros, entre os quais Bulwer-Lytton, autor de Os últimos Dias de Pompeia.

A Golden Dawn, mais reduzida ainda, tinha como finalidade a prática da magia cerimonial e a obtenção dos poderes e conhecimentos iniciáticos. Os seus chefes eram Woodman, Mathers e Wynn Wescott (o "iniciado" de que Machen falava a Toulet na sua carta do ano de 1900). Ela estava em contacto com sociedades similares alemãs de que mais tarde se encontrarão certos membros no famoso movimento de antroposofia do período pré-nazi. Viria a ter como mestre Aleister Crowley, um homem absolutamente extraordinário e com certeza um dos maiores espíritos do neopaganismo de que seguiremos a pista na Alemanha. Ele viria a publicar essas revelações nos números 2 e 3 da revista La Tour Saint Jacques, em 1956, sob o nome de Pierre Victor: L'ordre hermétique de la Golden Dawn.


S. L. Mathers, após a morte de Woodmann, e a retirada de Wescott, foi o grande mestre da Golden Dawn, que governou durante algum tempo de Paris, onde acabava de desposar a irmã de Henri Bergson. Mathers foi substituído na direcção da Golden Dawn pelo célebre poeta Yeats, que mais tarde viria a receber o Prémio Nobel. Yeats tomou o nome de Irnzão Diabo é Deus Inversus. Presidia às sessões de kilt escocês, mascarado de preto e com um punhal de ouro à cintura. Arthur Machen tomara o nome de Filus Aquartá. Havia uma mulher filiada na Golden Dawn: Florence Farr, directora de teatro e amiga íntima de Bernard Shaw. Ali se encontravam também os escritores Blackwood, Stoker, o autor de Drácula, e Sax Rohmer, assim como Peck, o astrónomo real da Escócia, o célebre engenheiro Allan Bennett e sár Gerald Kelly, presidente da Real Academia. Segundo parece, esses espíritos de élite foram marcados de forma indelével pela Golden Dawn. Como eles próprios confessaram, a visão que tinham do mundo foi alterada e as práticas às quais se entregaram não deixaram de lhes parecer eficazes e exaltantes.”


In "Despertar dos Mágicos" de Jacques Bergier & Louis Pauwels, pág. 141 e 142

Coisas que me fazem confusão à cabeça - Vol. IV

As redes sociais

Um dos grandes flagelos da sociedade. Quem nunca ouviu as palavras Hi5, MSN, Orkut?

Para que é que estas redes proliferam? Será que os jovens de hoje têm tanta coisa importante a dizer, que os tempos entre e após as aulas e os períodos de férias não são suficientes?

Na minha opinião, só existem por uma questão de competitividade, para, no fim de contas, ver quem tem mais "amigos". Na faixa etária mais activa nestas redes (14 aos 18 anos), o que conta é a popularidade, tal e qual como contava quando andávamos nós próprios na escola, mas levado ao extremo que a Internet permite, com 600 "amigos" dos quais não se sabe nada para além de uma foto e do comentário "És muita gira! Obrigado por me adicionares".

O problema é que, na Internet, a liberdade é tanta, que nada obriga uma pessoa a ser verdadeira naquilo que diz e/ou faz online.
Ou seja, as redes sociais tornam-se o local ideal para a mentira, o engano e a falsidade. Basta ver quantas pessoas têm associado ao seu perfil uma fotografia da própria pessoa. O meu palpite é de cerca de 10%.

E não vamos começar a falar do grau de anonimato que este tipo de situações proporciona a pessoas mal intencionadas (pedófilos, violadores, burlões de todos os tipos... enfim, como vemos todos os dias nas notícias).

Ou seja, 90% dos "amigos" das redes sociais são "anónimos-populares". Toda a gente os conhece, mas ninguém os conhece realmente.

E quem nunca viveu sem Internet (ou seja, qualquer pessoa com menos de 18 anos) tem uma terrível falta de raciocínio quando por alguma razão não há Internet.
"Não posso fazer os trabalhos da escola porque não tenho Internet para pesquisar", "Não sei como hei-de acabar o trabalho porque é a «Maria» que tem o ficheiro no computador, mas está com problemas na Internet e não me consegue mandar o ficheiro", etc.

Vou aqui prestar um serviço público aos mais jovens, que se deparam com estas situações (ou outras semelhantes).
Meus amigos, antes da Internet, a melhor maneira de obter conhecimento era nuns edifícios onde se guardavam uns montes de folhas de papel (inventado pelos chineses, no século II antes de Cristo), aos quais se chamam livros, normalmente organizados por temas e ordem alfabética em prateleiras. Curiosamente, alguns desses edifícios, frequentemente referidos como bibliotecas, sobrevivem nos dias de hoje, e, se procurarem na Internet com afinco, de certeza que ainda encontram a morada de uma perto de vossa casa.

E, se a montanha não vem a Maomé, Maomé vai à montanha. De certeza que, se a «Maria» está na mesma escola, não deve morar muito longe. Se são capazes de perceber como funciona um computador, não devem ter problemas em interpretar o horário dos autocarros.

Deixem-se disso, vão para a rua brincar às escondidas, ou à apanhada, ao berlinde, à carica, ao pião, jogar à bola, andar de skate ou de bicicleta, ou aquilo que vocês quiserem... e se os vossos pais não vos deixarem, lembrem-nos que eles fizeram o mesmo quando eram da vossa idade e não morreram por causa disso.

A Internet, a Liberdade e o controlo sobre as massas

Já é um lugar comum dizer que a Liberdade hoje em dia é quase total, aparte de estar evidentemente limitada pela Lei, e bem já que o ser humano não consegue viver sem regras, é algo que não se pode negar. Todos nós, mesmo povos que vivem em regimes políticos totalitários , tem uma liberdade muito mais alargada devido maioritariamente á Internet. A Internet é sem dúvida alguma, um dos maiores ícones da Liberdade, mesmo que o seu criador (Tim Berners-Lee) não tenha tido qualquer intenção de o fazer. Absolutamente qualquer pessoa pode colocar a sua opinião on-line. Desde o mais humilde do homens até á mais brilhante das mentes. Encontra-se de tudo na Internet. Desde sítios pessoais sobre a vida de um determinado desconhecido, passando por Blogs, até ás tão em voga “redes sociais”, etc, etc, etc.


Pequena nota (e única sobre o tema):

Confesso que tenho uma especial antipatia por essas “redes sociais”. Penso que ninguém faz a mais pequena ideia da utilidade das mesmas. Nem os seus utilizadores, nem mesmo os seus criadores. No entanto o número de utilizadores registados é surpreendentemente e assustadoramente alto. O que procuram nessas “redes”? Fazer amizades? Socializar? Sexo? Não entendem o quanto ridículo é oferecer amizade/sexo por catálogo on-line? Muitos desses utilizadores registados, são capazes de por exemplo, ver uma pessoa na rua a ter um ataque cardíaco e não fazer absolutamente nada e no entanto tem centenas de “amigos” na Internet. São capazes de ignoram por completo o vizinho que por acaso até costuma ser simpático, mas tem centenas de comentários na sua página da “rede social” a dizer o quanto especial é. Reagem mal, ou deverei dizer extremamente mal, quando no trânsito alguém lhes chama á atenção, buzinando, porque quase provocaram um acidente no cruzamento anterior devido ao egocentrismo, e depois escrevem na sua página dizendo o quanto é difícil falar sobre si mesmo, mas lá vão dizendo que é uma pessoa simpática, educada, tolerante, não se interessa por política, odeia racismo, enfim, brilhante, como tantas outras que “vendem” a sua imagem na internet!

Mas foi apenas um pequeno desabafo, já que não tenciono perder o meu tempo a pensar e escrever sobre as ditas “redes sociais” (para não lhes chamar de outra coisa).


Seguindo o raciocínio do inicio deste texto, qualquer pessoa pode ter a sua opinião publicada na rede global, seja num blog ou sítio pessoal. Até na China, onde se fecham centenas de blogs e páginas todos os dias, devido á censura, a liberdade nunca foi tão abrangente. Se hoje o governo chinês fechar uma página, amanhã surgem duas outras sobre o mesmo tema. Se hoje o governo chinês bloquear um site estrangeiro, amanhã os chineses já descobriram mais dez sobre o mesmo tema. É uma luta perdida para qualquer inimigo da Liberdade. Por mais que se tente fazer o contrário, as pessoas estão a habituar-se cada vez mais a expressarem a sua opinião e a absorver e a interpretar opiniões de outros na Internet.


Provavelmente isto não é novidade para ninguém. Mas veja-se o seguinte, antes de haver Internet, quem eram as pessoas que tinham direito a publicar a sua opinião e leva-la ás massas? Jornalistas, escritores, políticos, intelectuais, etc. Mas ainda assim, o número de pessoas era extremamente limitado. O comum dos mortais não tinha a mínima hipótese de se expressar de forma a chegar a tantas pessoas como os primeiros que aqui referi. Toda a sociedade era influenciada, para o bem e para o mal, por opiniões de um número pequeno de pessoas. Hoje em dia, a situação é totalmente diferente. A sociedade e os internautas são influenciados tanto pelos mesmos que sempre tiveram "direito" a opinião como por aqueles que agora ganharam esse "direito". Dessa forma, a sociedade está-se a adaptar.


Vivemos hoje em dia uma época de mudança. Mais do que quando surgiu a Internet, agora é a hora em que a mudança está realmente a acontecer. As crianças já crescem com a Internet. Para as crianças de agora, a Internet no futuro quando as mesmas se tornarem adultas será banal. É essa a mudança que falo. Para os adultos de hoje, que cresceram a brincar com os amigos na rua, a Internet é um mundo novo e extremamente interessante. Conseguimos dar mais valor á Internet, porque crescemos num mundo sem a mesma. Percebemos que teve influência sobre a sociedade. Para nós adultos, a Internet é um complemento ás nossas vidas, para as crianças e futuros adultos de amanhã, a Internet é algo essencial que esteve sempre disponível. Para eles é mais natural jogar na Internet do que ir para a rua com os amigos e jogar ás escondidas.


É preciso lembrar que são as crianças de agora e futuros adultos de amanhã que vão “fazer” a Internet do futuro. Hoje a Internet é um universo paralelo, mas interligado ao universo real. É um mundo desresponsabilizante, onde podemos ser quem queremos. É um outro mundo onde se pode ter uma outra vida para além desta. A Liberdade é total e global. Resta saber se os adultos de hoje sabem educar suas as crianças, por forma a prepará-las para as surpresas que este admirável mundo novo vai trazer. Por forma a mostrar-lhes que nem sempre existiu Internet. Para eles perceberem que a verdadeira vida é fora desse mundo virtual. Para terem o mesmo entendimento que nós, adultos, que a Internet é um bónus, e não uma forma de vida.


Lembro-me dos valores de Liberdade que o 25 de Abril trouxe a Portugal. Conheci-os graças aos jornalistas, escritores, pensadores, etc. Com toda a certeza os meus pais não agiram propositadamente ao não me mostrarem Portugal sobre um regime totalitário, opressor da Liberdade. Porém hoje, como já demonstrei anteriormente, não chega que os pensadores de outrora mostrem a sua opinião. Todos nós, que passámos a ter uma opinião que pode chegar ás massas, passámos também a ter responsabilidade sobre o futuro do mundo. Devemos portanto, reflectir sobre tudo o que temos e foi conquistado, demonstra-lo ás nossas crianças, para que também elas ajam no futuro em prol da Liberdade, adquirida como certa, e que tanto nos custou a conquistar.


O mundo fantástico dos... Gambozinos...

Os gambozinos são seres imaginários que, segundo a superstição popular, vivem no campo, embora algumas espécies já tenham se adaptado e hoje também se possam encontrar nos recantos sombrios e húmidos dos parques de algumas cidades. No dicionário[1], são descritos como uma espécie de pássaros ou peixes, embora haja quem ache que possam ser parecidos com o pirilampo, com o dragão marinho (Phycodurus eques) ou com o ouriço. Há quem ache que são seres da família dos vegetais que vivem debaixo da terra; no começo do século XX houve quem os descrevesse apenas como “pequenos bolbos de uma espécie de lírio” que podem ser comidos[2]. A ideia que se faz destes seres varia conforme a imaginação de cada um.


O glossário escutista[3] define estes seres como um “animal de características especiais, nocturno, e que é muito difícil de caçar. Normalmente caçam-se nos acampamentos.”


A caça aos gambozinos faz-se geralmente de noite, é muito popular em Portugal e em várias regiões da Espanha, como na Galiza, onde a estação de caça está aberta o ano inteiro, e não requer nenhuma licença especial para a prática desta actividade. A caça ao gambozino não visa a obtenção de alimento mas a conservação de tradições, é por isso considerada um desporto. É tradição organizar caçadas aos gambozinos e convidar pessoas ingénuas para ir junto. Frequentemente são levados nestas caçadas irmãos ou sobrinhos mais novos; é por isso visto como um desporto de família.


A caça aos gambozinos é considerada uma prática ancestral, e, conforme conta Ferraz (1895) no fim do século XIX, quando alguém concordava em ir à caça dos gambozinos “[…] levavão-na uma noite sombria a um sitio escuro e medonho, e collocavão-na com um sacco aberto ao pé de um buraco, como para agarrar nella os gambozinos, que costumavam sahir por alli; e assim deixavam ficar o incauto, ás vezes, até pela manhã indo-se embora, sob qualquer pretexto, a pessoa que o lá levou”[4]. Em algumas regiões do País a tradição conta também que se deve levar um luz a qual, quando se chega ao lugar desejado, é apagada deixado o ingénuo às escuras e saindo logo de seguida quem para lá o levou. Para atestar a antiguidade da tradição, Ferraz comenta ainda que “[…] d’este costume se não contão casos modernos, mas antigos, não se apontando mesmo ninguém que se tenha sujeitado a semelhante caçada”.


Embora não haja notícia de alguém que alguma vez tenha visto um gambozino, é "frequente" ouvir um ou outro fanfarrão dizer que já caçou dois ou três gambozinos, só para se vangloriar.


Acredita-se que o canto de algumas espécies de gambozinos têm propriedades especiais, que podem ser identificadas nos seguintes versos de João Monge[5]:

“O teu coração parece
Uma pedra sem destino
Dizem que só amolece
Ao canto de um gambozino”

Vril, the Power of the Coming Race

"Sabe-se que o partido nazi se mostrou anti-intelectual de maneira franca, e mesmo ruidosa, que queimou os livros e classificou os físicos teóricos entre os inimigos "judaico-marxistas". Em proveito de que explicações do mundo ele rejeitou as ciências ocidentais oficiais é o que muita gente ignora. Ainda menos se sabe em que concepção do homem se baseava o nazismo, pelo menos no espírito de alguns dos seus chefes. Mas, sabendo-o, situa-se melhor a última guerra mundial no quadro dos grandes conflitos espirituais; a história recupera o fôlego à Vítor Hugo da grandeza épica. "Lançam-nos o anátema como a inimigos do espírito, dizia Hitler. Pois bem, é verdade, é isso que nós somos. Mas num sentido bem mais profundo do que a ciência burguesa, no seu imbecil orgulho, jamais sonhou". É pouco mais ou menos o que Gurdjieff declarava ao seu discípulo Ouspensky, depois de terminado o processo da ciência: "O meu caminho é o do desenvolvimento das possibilidades escondidas do homem. É um caminho contra a natureza e contra Deus".


Esta ideia das possibilidades escondidas do homem é essencial. Ela conduz muitas vezes à rejeição da ciência e ao desprezo pela humanidade vulgar. Ao nível desta ideia, muito poucos homens existem realmente. Ser é ser diferente. O homem vulgar, o homem em estado natural não passa de uma larva e o Deus dos cristãos não passa de um pastor de larvas. O doutor Willy Ley, um dos maiores peritos do Mundo em matéria de foguetões, fugiu da Alemanha em 1933. Foi por seu intermédio que soubemos da existência, em Berlim, pouco antes do nazismo, de uma pequena comunidade espiritual de verdadeiro interesse para nós. Essa comunidade secreta fundamentara-se, literalmente, num romance do escritor inglês Bulwer Lytton: A Raça que nos há-de suplantar. Esse romance descreve homens cujo psiquismo é muito mais evoluído do que o nosso. Eles conquistaram poderes, sobre si próprios e sobre as coisas, que os tornam semelhantes a deuses. De momento, ainda se escondem. Habitam cavernas no centro da Terra. Em breve sairão para nos governar. Eis tudo o que o doutor Willy Ley parecia saber. Acrescentava, sorrindo, que os discípulos julgavam possuir certos segredos para mudar de raça, para se tornarem iguais aos homens escondidos no interior da Terra. Métodos de concentração, toda uma ginástica interior para se transformarem. Iniciavam os seus exercícios contemplando fixamente uma maçã cortada ao meio. . .


Nós prosseguimos as investigações. Essa sociedade berlinense, à semelhança das lojas maçónicas, chamava-se: "A Loja Luminosa" ou "Sociedade do Vril". O Vril é a imensa energia de que nós não utilizamos senão uma ínfima parte na vida comum, o factor principal da nossa divindade possível. Aquele que se torna senhor do Vril torna-se senhor de si próprio, dos outros e do mundo,. É a isso que devemos aspirar. É nesse sentido que devemos encaminhar os nossos esforços. Todo o resto faz parte da psicologia oficial, das morais, das religiões, do vento. O mundo vai modificar-se. Os Senhores vão sair das entranhas da Terra. Se não tivermos feito uma aliança com eles, se não formos senhores, também nós, ficaremos entre os escravos, na estrumeira que servirá para fazer brotar as novas cidades.”


In "Despertar dos Mágicos" de Jacques Bergier & Louis Pauwels, pág. 146 e 147


O engraçado é que todas as peças encaixam na perfeição...

Hollow Earth - A Terra Oca

"A Terra é oca. Nós habitamos no interior. Os astros são blocos de gelo. Já caíram várias luas sobre a Terra. A nossa também cairá. Toda a história da humanidade se explica pela batalha entre o gelo e o fogo. O homem não está acabado. Está à beira de uma formidável mutação que lhe dará os poderes que os antigos atribuíam aos deuses. Existem no mundo alguns exemplares do homem novo, vindos talvez de além das fronteiras do tempo e do espaço. Há alianças possíveis entre o Mestre do Mundo e o "Rei do Medo," que reina numa cidade escondida algures no Oriente. Aqueles que tiverem um pacto modificarão por milénios a superfície da Terra e darão um sentido à aventura humana. Tais são as teorias "científicas" e as concepções "religiosas" que alimentaram o nazismo original, nas quais acreditavam Hitler e os membros do grupo de que ele fazia parte, e que fortemente orientaram os factos sociais e políticos da história recente. Isto pode parecer extravagante. Uma explicação da história contemporânea, mesmo parcial, a partir de tais ideias e crenças pode parecer repugnante. Mas achamos que nada é repugnante no exercício da verdade."

In "Despertar dos Mágicos" de Jacques Bergier & Louis Pauwels, pág. 146