No deserto de Nazca, no Perú, na zona entre as cidades de Nazca e Palpa, foram encontradas imagens gravadas no solo (o termo técnico é geoglifos), cuja construção data entre 200AC e 700DC, pelos índios Nazca. Existem centenas de figuras individuais, tão simples como linhas ou tão complicadas como animais estilizados, entre os quais, beija-flor, aranhas, macacos, tubarões e lagartos.
Usando equipamento simples de medição e escavação, os índios retiraram a gravilha coberta por óxido de ferro, que forra a superfície do deserto de Nazca. Ao fazerem isso, expõem a terra de cor clara, obtendo assim o contraste necessário para que essas figuras se vejam.
O mistério não é "onde", nem "quem", nem "quando", nem "como"... é o "porquê".
A grande particularidade destas figuras é que são todas demasiado grandes para que se percebam do solo. Para o comum mortal, as linhas podem ser facilmente confundidas com simples "estradas" de terra batida. A área onde estas linhas se encontram tem aproximadamente 500Km quadrados, e algumas das figuras chegam a ter 270m de comprimento, o que faz com que sejam apenas perceptíveis do ar.Não há provas de que os índios Nazca possuissem aeroplanos, para poderem ver as imagens, mas existem teorias sobre uma tecnologia que estaria possivelmente disponível na altura: balões de ar quente.
Porque é que os índios Nazca fizeram estas imagens?
Algumas das hipóteses incluem:
- Religião I: fazendo imagens que só os deuses no céu pudessem ver. Foi verificada uma sucessão estranha de eclipses solares totais durante o período de tempo em que as linhas foram criadas. Um eclipse solar total assemelha-se à íris e pupila de um olho.
- Religião II: como adoração ás entidades "desenhadas", pedindo abundância de água, boas colheitas e/ou protecção.
- Astronomia: apontando para os locais onde corpos celestes (Sol, Lua, outras estrelas e planetas) apareciam e desapareciam no horizonte. Esta hipótese é considerada pouco provável.
- Extra-terrestres: Existem ainda outras teorias, mas, uma delas, de certeza a mais radical, admite que as linhas são pistas de aterragem para naves extra-terrestres.
Um simples concurso entre os nativos das povoações de Nazca e Palpa, para ver quem consegue fazer o melhor desenho. Com o tempo, os desenhos tornam-se maiores e mais complexos, sempre a tentar fazer melhor que nos anos anteriores (um pouco como o actual Carnaval do Rio de Janeiro). A povoação vencedora teria a honra de ser anfitriã do festival anual (de qualquer coisa à qual se pudesse dedicar um festival, naquela altura: o Sol, a Lua, o início da época de caça, o fim das colheitas...), e os vencidos teriam de sofrer a humilhação de serem os convidados. Tudo se resume a um caso de "a nossa festa é melhor que a vossa".
Nem todas as explicações para o inexplicado têm de ser espectaculares, ou não estariamos nós no mundo do Realismo Fantástico.
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